Como a classe média perdeu com a invasão da PM no Pinheirinho

Toda essa ação precipitada e arbitrária da prefeitura, governo do Estado e judiciário estadual no caso do Pinheirinho, revela o total despreparo dos agentes públicos paulistas em questões sociais (aquelas que não se resolvem comprando asfalto, dando ordens ou terceirizando os serviços e recursos públicos) que, em vez de trabalharem com discernimento, agem movidos pelas emoções mais baixas, criando eles próprios mais problemas que soluções gerando, além de caos e violência urbana e social, grande desperdício de dinheiro público.

Em toda a operação desastrada do Pinheirinho usada só para mostrar força e intimidação numa queda de braço e desproporcional estúpida entre Estado e cidadão, e de quebra entre Estado e federação, só o prejuízo financeiro direto (para não dizer o moral e emocional das famílias e moradores da região) aos cofres públicos devem custar, no mínimo, R$15 milhões, (só a megaoperação policial, segundo dados extra-oficiais, custou mais de R$1 milhão, assim como o aluguel vai custar em média R$750 mil/mês, com previsão de um ano e meio), dinheiro do contribuinte que não precisariam ser gastos houvesse o mínimo de estratégia e bom senso.

Fossem menos autoritários e mais equilibrados, inteligentes e humanos, o governador Alckmin e o prefeito Cury, vez que agora dizem ter “planos” habitacionais para resolver o problema passando as pessoas do Pinheirinho na frente da fila (antes a fila era desculpa, agora fica o dito pelo não dito) teriam pedido à justiça um prazo de um ano à um ano e meio para a construção do conjunto habitacional para abrigar as pessoas expulsas do Pinheirinho, resguardando o contribuinte de assistir cenas de violência desproporcional do Estado, formas desumanas de alojamento aos ex-moradores em seus campos de concentração, assim como de PAGAR pelo mal feito, pois esses moradores nesse período em que as casas estariam sendo construídas não precisariam de aluguel social pago com nosso imposto, podendo aguardar de forma ordeira e humana nas casas que construíram no Pinheirinho sem qualquer auxílio do Estado, até que as novas casas ficassem prontas, economizando assim o dinheiro do contribuinte.

Isso tudo apenas confirma que, embora estejam no poder no Estado e na cidade de São José dos Campos há quase duas décadas, os governos tucanos não foram e não são capazes de desenvolver um mínimo de planejamento para garantir o pleno e bom funcionamento da sociedade paulista, razão principal do Estado não estar acompanhando o ritmo de crescimento do resto do país, mesmo dispondo de uma infraestrutura muito superior aos dos demais estados, fazendo com que o povo paulista vive sob um aumento progressivo da violência, do desemprego e da precariedade, assim como alvo predatório da especulação imobiliária em todo o Estado, fazendo com que os setores médios da sociedade sejam obrigados a contrair dívidas hipotecárias a perder de vista, para não se verem privadas de um teto.

Assim, o caso do Pinheirinho, apenas reforça o esgotamento de um estilo de fazer política arcaico, atrasado, baseado em ideias econômicas e sociais (neoliberalismo) retrógradas e falidas e num Estado policial que busca o enfrentamento e não o diálogo como solução, portanto é o momento da sociedade paulista, voltar suas atenções para novos projetos de governo para as cidades, mais dinâmicos, ecológica e economicamente sustentáveis, servindo ao cidadão e não de políticos que se servem do Estado para atingir seus próprios interesses deixando o povo à deriva.

Fouad Abbas

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Uma resposta para Como a classe média perdeu com a invasão da PM no Pinheirinho

  1. Vendedor de Pastel disse:

    Observo que você apenas criticou a omissão do Estado e do Município, quando a União também tem sua parcela de responsabilidade. Sua ideologia não te permite fazer qualquer crítica ao governo federal?

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