Macaco velho não mete a mão em cumbuca

Diante da interminável novela mexicana que se tornou a escolha do candidato tucano à sucessão do governo de São José dos Campos, da inexpressividade dos postulantes ao cargo que, não fossem os padrinhos, não fediam nem cheiravam, somada as dificuldades em defender a continuidade de um governo desgastado e afastado da população por seu autoritarismo e prepotência habituais, nada mais natural que os tucanos, num ato de desespero diante da situação onde o barco evidentemente entrou água e corre o risco de afundar, tentem ressuscitar a figura do ex-prefeito Emanuel como salvador da pátria, única garantia de manter as chances de continuar à frente do governo por mais 4 anos anos.

Entretanto, como diz o velho ditado: “- Macaco velho não põe a mão em cumbuca“, dificilmente irão convencer Emanuel de sair de sua cômoda condição de caudilho, amado por 2 em cada 3 joseenses pela imagem deixada por seu governo que, graças a uma série de condicionantes que hoje não mais existem, conseguiu dar uma nova cara para a cidade,  a se arriscar num novo mandato que tudo tem para apagar a aura de estadista do passado, revelando-o apenas mais um político conservador e tradicional.

Sabedor de que dificilmente conseguirá, num novo mandato, responder às expectativas geradas por seu retorno à prefeitura, graças as lambanças que herdará de seu pupilo, somadas ao projeto pessoal de um dia se tornar governador do Estado e ao impedimento legal da Lei da Ficha Limpa, que pode até garantir que consiga, através de alguma liminar,  sair candidato, mas em nada garante que seja destituído desonrosamente pela justiça durante o exercício do mandato, entregando de bandeja a prefeitura para o segundo colocado na eleição e, de quebra, enterrando a aura de honestidade que soube muito bem lapidar à sua imagem, Emanuel dificilmente colocará seu pescoço na corda para salvar o pescoço dos outros, entre eles o pescoço do governador Alckmin que, depois de se eleger na casca em 2010, por menos de meio por cento dos votos, sabe que precisa mais do que nunca manter sua base principal base eleitoral no Estado, caso queira ser reeleito em 2014.

Assim, não importa a choradeira (convenientemente usada para sustentar a imagem de caudilho mesmo depois de 8 anos de ostracismo e mandatos parlamentares pífios), sair candidato nesta altura do campeonato pode ser bom para o PSDB e para a legião de puxa-sacos que vivem às custas de cargos públicos, mas é mal negócio para Emanuel, que ganhando ou perdendo a eleição é o único que perde.

Assim, cabe aos tucanos contentarem-se com a presença de Emanuel através de seus conhecidos discursos de falso moralismo e de defesa de novas lideranças que na prática, não gerou uma só liderança autêntica em 16 anos de governo, todas devidamente soterradas para que sua estrela maior pudesse brilhar sozinha em seu céu escuro e cada vez mais cobertos de nuvens e trovoadas.

De poste ou de chuchu, sem luz própria ou sem sabor nenhum, deve ser o novo candidato tucano de São José, um patinho feio que nunca vira cisne porque a mamãe pato não deixa.

 

Fouad Abbas

 

 

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