Abuso sexual ou estupro coletivo? A guerra ideológica por trás da cultura da impunidade e da libertinagem

Abuso sexual ou estupro coletivo?

A guerra ideológica por trás da cultura da impunidade e da libertinagem

* Por Franklin Maciel

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O caso da menina carioca exposta nacionalmente em vídeo nas redes sociais sofrendo abusos sexuais e morais tem suscitado uma série de debates apaixonados Brasil afora a ponto dessa guerra ideológica estar nitidamente contaminando as investigações, deixando claro o quanto os órgãos responsáveis pela justiça e segurança no país são despreparados, agindo muito mais por convicções pessoais e aparências do que sobre fatos.

Confirmam isso as atitudes antagônicas dos dois delegados responsáveis pelo caso, onde o primeiro minimizou o caso e a segunda carrega na tinta, o que deixa claro em ambos os casos, que a ideologia tem falado mais alto que a justiça.

Independente da descrição literal que a investigação venha a apontar sobre o caso, o fato é que ele desnuda uma série de mudanças comportamentais e culturais no Brasil atual que muitos fingem não ver e cuja compreensão e avaliação dos caminhos tomados é fundamental para o tipo de sociedade que desejamos construir daqui por diante. Vejamos alguns pontos:

  1. Superexposição da Intimidade: Se por um lado as redes sociais provocam uma verdadeira revolução na nossa capacidade de comunicação, por outro, o despreparo da grande maioria das pessoas em lidar com essa ferramenta, alimentado pelo desejo de buscar notoriedade social à qualquer custo, tem sacrificado princípios básicos e essenciais de preservação da intimidade, contribuindo decisivamente para um processo de degradação de valores elementares da sociedade, banalizando principalmente o corpo e a sexualidade.

  1. Apologia ao sexo e às drogas: Fica claro que a apologia ao sexo e ao consumo de drogas lícitas e ilícitas de músicas atuais contribuem como estímulo aos jovens para comportamentos abusivos e compulsivos por sua associação direta entre o consumo de bebidas e outras drogas e atividade sexual casual, degenerada e descompromissada. Não é a toa que no vídeo, um jovem narra um trecho de um funk para descrever o abuso sexual coletivo sofrido pela jovem. Bom lembrar que a grande maioria dos novos cantores sertanejos também apostam na fórmula: Bebida e sexo fácil para vender shows e discos.

  1. Extremismo ideológico: Nem santa, nem vagabunda. Esse caso torna-se simbólico porque desnuda o momento de divisão política e ideológica do país alimentado pelo maniqueísmo irresponsável da classe política que agora começa a perder as rédeas diante do ódio alimentado por ambos os lados. Por exemplo: Esse episódio não revela uma cultura do estupro no país como bem querem as feministas, mas deixa claro que há uma cultura de excessos e baixarias travestida de liberdade de expressão que precisa ser repensada para que não descambe em risco à segurança e a integridade física, mental e moral de jovens em formação. Do ponto de vista legal: é preciso punir os responsáveis pelo abuso sexual e sua exposição, mas desconsiderar totalmente as condições nas quais eles se deram, também é errado.

  1. Cultura do espetáculo: Escândalo e sexo vendem e vendem bem. Deste modo, os meios de comunicação despidos de quaisquer escrúpulos e motivados pela certeza de lucro rápido e fácil, não pensam duas vezes antes de explorar à exaustão esses temas, mesmo que para isso sacrifiquem toda uma geração, desmoronem valores fundamentais da sociedade e coloquem em grande dificuldade o trabalho das famílias de preparar um filho para a vida, vez que são obrigadas a concorrer no árduo ofício com toda sorte de degradações precoces, como a erotização de crianças e a vulgarização de temas para as quais estas ainda não tem preparo físico, mental e moral para lidar.

  1. Cultura da Impunidade: A expressão: “O crime não compensa” traduz um ideal muito distante da realidade brasileira, sustentada por um sistema jurídico/legal lento e burocrático, com excesso de leis e de instâncias recursivas, corrupção generalizada no sistema e ineficácia investigativa dos meios policiais. Essa somatória de fatores construiu ao longo do tempo, em todos os níveis da sociedade, a ideia de impunidade como regra, razão que, somada ao exibicionismo como forma de valoração social, faz com que as pessoas assumam abertamente os riscos de responder judicialmente por atitudes criminosas e hedonistas.

A democracia tem seus preços, e talvez o mais caro seja a capacidade da sociedade em equilibrar os sensos de liberdade, segurança e justiça.

Independente das crises econômicas e políticas que são cíclicas, nossa jovem democracia precisa superar os traumas da ditadura militar onde nada podia, para ultrapassar o atual conceito de que tudo pode e assim repactuar-se, para um: O que pode, o que não pode e Como pode.

Somente assim nos estabeleceremos como uma sociedade justa e equilibrada, onde as leis são respeitadas, onde às crianças e aos jovens são garantidas condições de amadurecem dentro de seus próprios tempos, onde a liberdade não se confunde com libertinagem e caminha de mãos dadas com a segurança.

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