O voo de galinha da Era Lula e a crise das esquerdas

O voo de galinha da Era Lula e a crise das esquerdas

  • Por Franklin Macieltrumplula-300x169

Muita gente está inconformada com a guinada radical que o mundo está dando à direita com seus Trumps e Cia, mas o fato é que, mais do que “a Revolta dos Coxinhas” como pregam esquerdiotas, o fato é que os nossos progressistas na prática, não foram tão “progressistas “ assim e agora colhem o fruto amargo, mirrado e bichado do plantio desmazelado que fizeram, onde  jogaram sementes para todo lado, mas nunca regaram, adubaram, impediram pragas…E agora são devorados por elas.

Vejamos algumas posturas das esquerdas no poder:

  • Prometeram justiça e revoluções sociais, mas optaram por repactuar interesses do sistema financeiro e das oligarquias distribuindo apenas migalhas desses acordos de gabinete aos movimentos sociais que os sustentaram como sindicatos e campesinos, o que aos poucos, foi deslegitimando essas lideranças frente aos liderados;

 

  • A mudança real na vida das pessoas foi muito tímida e quase que totalmente ligada só à área financeira da vida. Diante da primeira crise que derreteu os poucos ganhos ou ilusão destes, as pessoas não tinham outras razões e valores no que se apegar (nem valores éticos sobreviveram com as esquerdas enterradas até o pescoço nos mesmos e velhos esquemas de corrupção de sempre);

 

 

  • A postura de fragmentação das minorias, dividas em grupos, departamentos burocráticos e discussões intermináveis que, na prática, reduziam suas demandas de inclusão a questões burocráticas e civis (a vaga no estacionamento, o direito de união homoafetiva, o Dia do A, do B, cotas e mais cotas..) Isso acentuou de modo equivocado a ideia de que a luta por direitos e compensações seria garantia de privilégios o que serviu mais para dividir do que incluir as pessoas e dar espaço aos seus talentos e potenciais.

 

E no Brasil, o que sobrou da Era Lula?

Tirando a retórica populista e bravateira, o governo Lula internamente foi:

  • Uma cesta básica para os que tinham fome;
  • Um cartão de crédito para os que tinham sonhos de ascensão econômica;
  • Um diploma para aqueles que acreditaram na falácia de que ensino formal é garantia de retorno social e financeiro.
  • Acordos de gabinete com o sistema financeiro e com as oligarquias e com o Congresso.

Externamente

  • Trocou a dominação econômica dos EUA pela dependência da China;
  • Acentuou a velha política externa dos tempos do Brasil Império de exportar bens primários e importar manufaturados;
  • Misturou ideologia com política comercial e quebrou a indústria nacional

Por que a alegria durou pouco?

Internamente

  • Porque a cesta básica (bolsa família e outros penduricalhos) caiu do céu igual maná, mas veio só, sem nenhuma contrapartida ao dinheiro dado aos beneficiários como, por exemplo, a criação de um programa nacional de desenvolvimento e infraestrutura para absorver essa mão de obra latente.

O resumo da ópera foi que, em vez de usar a bolsa como mudança de comportamento, as bolsas de modo geral (há exceções) serviram como acomodação numa vida ruim.

 

  • A prosperidade movida a crédito fácil induziu as pessoas e governos a gastarem antes de ganharem, iludidos com a falsa ideia de pleno emprego e aumentos salariais e de arrecadação insustentáveis.

Quando as dívidas não puderam mais ser roladas para a próxima fatura e as casas estavam entulhadas de coisas descartáveis (crise de superprodução) assim como os governos de despesas de custeio, começou a quebradeira geral, criando o desemprego com o qual hoje todos nós sofremos.

 

  • Na ânsia de certificar grandes contingentes de mão de especializada, financiou uma indústria do diploma no país sem verificar nem a qualidade de ensino destas instituições nem planejar maneiras de estimular a economia para absorver essa mão de obra. O resultado foi: 1)Ampliação da precarização do trabalho com estagiários fazendo serviço que deveria ser de efetivos; 2) Certificação incompatível com as exigências do mercado 3) Falta de oportunidades no mercado de trabalho aos recém formados, levando a maioria a atuar em subempregos.

 

  • Os acordos com as oligarquias e o sistema financeiro tornaram o investimento em produção no país inviável pois, na prática, especular no Brasil ficou mais lucrativo e seguro do que investir em produção. A suposta paz política da opção pela coalizão e não convencimento foi conquistada através da sistematização da corrupção para financiamento de campanhas políticas que tornaram os candidatos reféns da plutocracia.

Externamente

  • A parceria com a China só trocou a cor das moscas e afundou a indústria nacional;
  • A queda do valor das commodities e a desaceleração da economia mundial reduziu drasticamente a demanda dos nossos produtos primários, mas não nossa dependência dos produtos manufaturados, vez que nossa indústria estava e continua sucateada por nenhum mecanismo de proteção da soberania nacional;
  • Os parceiros ideológicos escolhidos, em sua maioria eram pobres e/ou corruptos, e na crise que se abateu também sobre eles, não pagaram a conta.

Isso são alguns fatos e suas consequências. Ignorá-los ou procurar culpados senão em seus próprios atos, apenas manterá os progressistas alheios ao povo e voltados aos próprios umbigos, perpetuando o poder nas mãos de grupos conservadores que claramente tem lado, um lado articulado e que age de maneira corporativa e em bloco, atropelando a tendência história de divergências dentro das esquerdas.

E há alguma luz ao final do túnel?

Sim, e ela foi emitida muita claramente tanto nas eleições brasileiras quanto dos EUA, quanto em outros países.

No Brasil um contingente expressivo de eleitores resolveu mostrar sua insatisfação com a política simplesmente não votando ou anulando seu voto. Isso é um sinal claro e inequívoco de que essas pessoas estão ressentidas e não endossam mais a postura corrupta, pelega e preguiçosa da esquerda no poder e seu nivelamento da política por baixo, mas não ao ponto de migrarem para os conservadores.

Portanto, são eleitores que podem retornar se os progressistas brasileiros amadurecerem com a dura derrota sofrida, resgatando valores como justiça social, transparência e honestidade e se modernizando, criando e oferecendo alternativas econômicas concretas ao caminho fácil e falível do capitalismo de consumo adotado por Lula e Cia, assim como abandonando pela estrada sua péssima mania de vitimizar minorias e usá-las como escudos humanos, feito verdadeiros “sanguessugas da miséria e do preconceito.

O mundo cansou dos mornos, de sua política rasteira que tenta agradar gregos e troianos onde ninguém fica satisfeito.

O eleitor não aceitará mais as decisões de gabinetes que empurram goela abaixo Hillarys e Dilmas, o mundo quer líderes de verdade, com propostas de verdade. O eleitor quer das esquerdas novos Bernie Sanders, com coragem e envergadura moral para fazer o que precisa ser feito.

O futuro será daqueles que lançarem as sementes e trabalharem exaustivamente a terra até que elas deem os melhores frutos.

 

Franklin Maciel

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